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A trajetória do INTZ no Wildcard 2016: 5 derrotas para o Hard Random

Por: Luis Gustavo - GameHall - 21/04/2016 07:31:03
A trajetória do INTZ no Wildcard 2016: 5 derrotas para o Hard Random

Para o Brasil ontem foi o fim do International Wildcard Invitational, competição que dá vaga à segunda maior competição do ano, disputada entre as campeãs das principais regiões do League of Legends no mundo. A equipe INTZ, nosso representante no torneio pelo segundo ano seguido, caiu diante do poderio russo do Hard Random nas semifinais, após uma fase de grupos alternada entre atuações complicadas e alguns atropelos aplicados pelas mãos brasileiras. O que houve com o INTZ?

O título conquistado em SP: passaporte carimbado para o México


No dia 02 de abril de 2016, em frente a um estúdio lotado de fãs do eSports nacional, o INTZ sagrou-se campeão da primeira temporada do CBLoL 2016 e, com isso, garantiu a vaga ao International Wildcard Invitational. Quem, como este que vos escreve, viu os Intrépidoz conquistando o título com tanta categoria sobre o Keyd Stars, não imaginou o que estava por vir no México - e além do mais, o Brasil sempre teve um quê de favoritismo nas competições internacionais que não envolvem as maiores regiões do mundo.

O retrospecto em competições internacionais: a rivalidade INTZ-HR de longa data


 

File:IWCI 2015 logo.png

Em abril de 2015, há cerca de um ano, houve a edição anterior do IWCI, da qual tanto o INTZ quanto o Hard Random participaram. Realizada na Turquia, ambos os times citados foram como estrangeiros (INTZ: Brasil; Hard Random: Rússia). A equipe brasileira não teve as melhores condições de treinamento. Nossos rapazes chegaram em cima da hora para a competição e não puderam treinar satisfatoriamente.

Tivemos cinco partidas contra o Hard Random. A primeira, ainda na fase de pontos corridos, foi vencida pelos russos. Ambos INTZ e HR passaram para as semifinais com 4 vitórias e 2 derrotas e graças ao modelo de chaveamento, se enfrentaram mais uma vez, em série md5. Dessa vez deu Brasil: os Intrépidoz venceram por 3x1 e passaram à final, onde perderam para o time da casa, Beşiktaş e-Sports Club. Desta forma, o INTZ chegou com vantagem tênue sobre o Hard Random no IWCI deste ano. Foram 3 vitórias brasileiras contra 2 russas em 5 jogos disputados.

Apesar desta rivalidade entre as organizações, é necessário ressaltar que houve mudanças na equipe russa. Enquanto a line-up do INTZ é a mesma de 2015, a do Hard Random mudou - e muito. Só os jogadores do topo Dmitri "Smurf" Ivanov e do meio Mykhailo "Kira" Harmash continuaram, o que certamente influenciou na melhora do nível de jogo dos russos.

A preparação para o IWCI: começam os problemas


O INTZ chegou em solo mexicano no dia 11 deste mês e foi surpreendido por condições de treino aquém do esperado. Em conversa com Ricardo Set do portal MyCNB, Gabriel "Revolta" Henud reclamou da qualidade geral dos equipamentos de treinamento e, especificamente, dos monitores, que parecem ser algo pequeno na conjuntura geral mas influenciavam em toda a configuração de jogo, desde a sensibilidade do mouse até a qualidade da imagem do LoL, aspectos que afetam bastante a jogabilidade. Exceto para o Lyon Gaming, equipe sediada no México que contou com sua Gaming House, as condições de treino para os participantes do IWCI não foram as melhores.

File:IWCI 2016 logo.png

Isso, no entanto, não justifica a derrota do INTZ, uma vez que todos os times (à exceção do Lyon) foram prejudicados de alguma forma pelas más condições do treinamento.

A fase de grupos


 

Primeiro dia:

  • Hard Random 1 x 0 INTZ: estreamos mal. Logo de cara o INTZ enfrentou o Hard Random e perdeu. Os Intrépidoz tiveram um jogo acirrado na maior parte do tempo, com a vantagem mudando de lado constantemente. Aos 38' de partida o INTZ garantiu o Barão, passando no placar global, o que deu a eles o controle do jogo. Entretanto, o Hard Random se organizou melhor, controlou bem a visão e garantiu pickoffs, assumindo as rédeas da partida e vencendo-a.
  • INTZ 1 x 0 Lyon Gaming: uma vitória esmagadora. Com rotações ousadas desde o princípio, os brasileiros alavancaram uma vantagem bastante opressora. Revolta esteve excepcional com a sua Nidalee, sendo o tão famoso motorzinho do INTZ: o caçador carioca teve participação de 100% nos 13 abates. E falando em abates, o Lyon Gaming não conseguiu sequer um. Uma vitória com bastante folga para nossos rapazes aos 34', o que certamente elevou o moral para o segundo dia de competição.

Segundo dia:

  • Chiefs 1 x 0 INTZ: mais uma derrota. O começo do jogo foi bastante equilibrado, com ambas as equipes criando jogadas ofensivas e respondendo bem às investidas adversárias. O Chiefs eSports lutava melhor que o INTZ, mas este rodava melhor o mapa na transição do early para o mid game, derrubando torres sem problemas. O jogo mudou quando chegou a hora das lutas. O time australiano executou melhor os confrontos em equipe e disso garantiu a vitória. A derrota brasileira divide-se em dois aspectos: mau posicionamento no mapa, sofrendo iniciações extremamente desvantajosas 3x5 e tomada de decisão ruim. Os australianos, que nada têm a ver com isso, agradeceram nossas falhas e venceram.
  • INTZ 1 x 0 Isurus: o atropelo sobre os hermanos. Não há muito o que falar sobre esta partida. O INTZ encaixou perfeitamente enquanto que o Isurus simplesmente não apareceu para o jogo, apesar de ter conquistado a ¡Primera Sangre! - aos 11 minutos de jogo nossos hermanos estavam completamente perdidos, pois o INTZ buscou uma luta boa na rota inferior e, dela, rotacionou de forma muito acelerada pelo mapa, deixando o Isurus sem reação. O resultado dessas movimentações veio em abates e torres conquistadas, e a partir daí veio o efeito bola de neve: a partida acabou aos 19'.

Terceiro dia:

  • INTZ 1 x 0 DetonatioN: um exercício de paciência. O jogo começou com muita cautela por ambos os lados, as duas equipes se estudavam bastante, sem se expor. O INTZ executou a jogada de inversão tão comum no Brasil, derrubando as primeiras torres das rotas superior e inferior, o que dá um pico de ouro inicial mas em seguida desacelera o jogo, justamente pela falta de objetivos em tese fáceis. O primeiro abate só saiu aos 20' graças a uma jogada ofensiva do Luan "Jockster" Cardoso. A partida se estendeu por muito, muito tempo. Ambas as equipes jogavam de forma segura e quando tentavam criar, sofriam respostas inimigas satisfatórias. O jogo foi extremamente disputado. A equipe japonesa esteve muito próxima da vitória, mas os Intrépidoz operaram um milagre e seguraram a base, ajudados pelos seus próprios superminions, que executavam um backdoor na base japonesa. Segundos depois, Revolta roubou um Dragão, sendo o quinto do INTZ, o que nos ajudou a segurar o jogo. Somente na marca de 1h06' o jogo foi finalizado, graças a uma luta muito bem jogada por Micael "micaO" Rodrigues. Muito suor e sangue foram derramados, mas o Brasil venceu o Japão!

Quarto dia:

  • SuperMassive 0 x 1 INTZ: a revanche. Para quem não sabe, parte da line-up da SuperMassive vem do Beşiktaş, vencedora do IWCI 2015 por 3x1 sobre o INTZ. Foi a chance dos Intrépidoz de buscarem a revanche, e fizeram-no bem: o Revolta jogou de Nidalee, o que mostrou-se uma condição de vitória importantíssima neste IWCI para os atuais campeões do CBLoL. Controlaram bem o começo do jogo e não deixaram este controle fugir das mãos tupiniquins, o que culminou num ponto crítico da partida: aos 23' a SuperMassive se viu perdendo uma luta e dois inibidores sem conseguir reagir de forma alguma. E após poucos minutos, aos 27, o INTZ fechou a partida sem nenhum problema.
  • INTZ 1 x 0 Saigon Jokers: o jogo que embolou a tabela. O INTZ começou... mal. Revolta tentou roubar o bônus azul e isso fez com que a Saigon Jokers assumisse as rédeas da partida, garantindo três abates. A partida foi recuperada ainda no que é tido como "early game": aos 13' os brasileiros tinham empatado o placar de abates e lideravam nas destruições de torres, o que garantiu ao INTZ a vantagem de ouro que ele precisava. O próximo ponto marcante do jogo foi aos 21', quando o Brasil garantiu um ace tendo perdido somente um membro. Tal cenário permitiu a execução de um Barão fácil e, a partir daí, bastou administrar a vantagem e pressionar os inimigos, devastando sua base e vencendo a partida.
     

Do desempate às semifinais: o clássico INTZ vs Hard Random


Hard Random vence INTZ mais uma vez e vai em busca do Seed1

 

Hard Random 1 x 0 INTZ: na disputa de desempate, mais uma derrota brasileira. O Hard Random mostrou-se muito forte nas lutas desde os momentos inicias da partida. Logo cedo, aos 11', garantiram um ace. Esta luta já ditou o ritmo do jogo, controlado pelos russos. Dela, levaram a primeira torre e abriram vantagem de mais de 3.500 de ouro. O INTZ tentava criar jogadas, mas o HR respondia melhor do outro lado do mapa, o que mostrava a dificuldade brasileira em jogar contra os russos. A partida prosseguiu com o INTZ tentando se recuperar a o Hard Random não deixando que isso acontecesse, até que nos 29' aconteceu algo no mínimo inusitado, que mostrou uma falha grotesca de decisão do INTZ: houve um base rush. Cinco jogadores Intrépidoz estavam na rota do meio contra três jogadores russos, enquanto que no topo brasileiro, dois russos obliteravam nossa base. E eles foram bem sucedidos. Os cinco jogadores do INTZ perderam o base rush contra apenas dois oponentes. Assim sendo, o Hard Random venceu a partida e o INTZ ficou com a terceira colocação na fase de pontos corridos.

Hard Random 3 x 0 INTZ: o fim da trajetória brasileira no México. A primeira partida foi disputada, com destaque novamente para as lutas em equipe do Hard Random. Souberam quando, onde e como lutar, e disso levaram o jogo a contragosto da equipe brasileira. O ponto que cimentou a derrota no primeiro jogo foi o que seria o terceiro Dragão para o Hard Random. O INTZ não queria deixar este objetivo tão importante para seus oponentes e houve contestação. Disso, os russos encontraram uma luta muito boa graças à falha do Revolta, que não estava próximo de seus aliados para salvá-los com seu ultimate e os Intrépidos foram abatidos. Graças a essa vantagem o Hard Random foi para o Barão, realizando-o e ganhando uma vantagem importantíssima, que foi administrada suficientemente bem até a vitória.

No segundo jogo da série, já mais curto que o primeiro, o HR começou melhor. Garantiram a ¡Primera Sangre! e mais eliminações que os Intrépidoz no começo da partida, tendo uma tênue vantagem de ouro a partir daí. O INTZ conseguiu reagir, garantindo alguns abates e deixando o ouro parelho. No entanto, uma sequência de decisões ruins e erros básicos fizeram com que os russos assumissem mais uma vez a liderança incontestável. Com apenas 30' de jogo o Hard Random garantiu um ace na rota inferior, sem baixas, e venceram. Estavam a um passo da grande final.

...e deram este passo de forma mais simples que os dois primeiros. Apesar do INTZ começar o jogo de forma agressiva executando um dive que garantiu a ¡Primera Sangre! e coletando mais alguns abates, vimos o Hard Random rebatendo de forma firme minutos depois. O INTZ tentou uma iniciação na rota inferior, mas os russos responderam de forma impecável e garantiram um ace logo aos 12', o que complicou muito a partida para os Intrépidoz: e eles não mataram sequer um russo. Pouco depois o INTZ respirou, garantindo abates na selva que abriram espaço para três objetivos: duas torres e um Arauto. Parecia que a vitória brasileira estava a caminho, mas aos 21' tudo mudou: até então o Hard Random conseguiu abates pontuais, mas com a luta que estourou nesta marcação de tempo, a equipe russa garantiu diversos abates, encaminhando a partida. Momentos depois, aos 24', garantiram o Barão e restou pressionar para que o sonho brasileiro de vencer o IWCI fosse cimentado. O INTZ caiu nas semifinais por 3x0.

Acabou o IWCI. E agora?


line-up INTZ

Line-up do INTZ, experiente em torneios internacionais, ainda amarga a falta do título fora do país.

 

Depois deste IWCI, não pode ter outro nome: INTZ e Hard Random fazem um clássico internacional do League of Legends. Com um total de 10 confrontos em apenas um ano de rivalidade, desde o IWCI 2015, a equipe russa leva uma boa vantagem sobre nós: são 7 vitórias e apenas 3 derrotas. Em 2016 o Hard Random não perdeu para o INTZ - e foram 5 partidas disputadas. Se ano passado o Brasil foi superior, é inegável que este ano a Rússia é melhor, o que deve servir como combustível para nossas equipes melhorarem e voltarem à boa fase de 2015 frente às equipes estrangeiras (INTZ e paiN foram bem internacionalmente, com destaque para a última, que chegou ao Mundial após vencer o WildCard).

Que este IWCI sirva para nos motivar, e não para desestimular. Teremos outra chance contra o Hard Random, caso seja classificado, e as demais regiões do Wildcard em setembro. As partidas serão na nossa casa, no nosso país, com o apoio da nossa torcida. Que os ventos estejam mais favoráveis para a nau do eSports nacional até lá.