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Business Esports: A Historia do CS:GO no Brasil contada por Alexandre Gaules

Por: Thiago Alves da Silva - Colaboração com a GameHall - 20/04/2017 01:43:46
Business Esports: A Historia do CS:GO no Brasil contada por Alexandre Gaules

Batemos um papo com Alexandre Gaules, um dos primeiros jogadores a começar a falar do negócio e avistar o potencial que o mercado tem!

Para as pessoas que hoje veem onde o esports chegou, ele faz um bom relato de como era o começo da modalidade e como Counter Strike se tornou o que é!

1) Poderia comentar, brevemente, quando começou a sua carreira de jogador de e-Sports e como eram os eventos que participava na época?

Minha carreira como jogador de esports começou em 1998, na época eu jogava Quake II e participava de campeonatos online nas modalidades de 1v1 e 2v2. Em 1999 com o lançamento do Counter Strike eu conheci o jogo logo na sua versão beta e foi paixão à primeira vista, acabei decidindo dedicar todo meu tempo livre para aprender e me aperfeiçoar. Na época os eventos eram principalmente em lan houses que eram a grande febre e novidade! Participei de campeonatos que não tinham premiação, campeonatos com grandes premiações como por exemplo representar o Brasil no primeiro World Cyber Games em 2001 e joguei e ganhei até mesmo campeonato que tinha como premiação bolinhas de paintball rs.

Lembro que nessa época nossa geração aprendeu e pegou gosto pelo prazer da competição, pelas experiências em equipe com os amigos no trabalho diário de evoluir dentro e fora do jogo e o objetivo principal era vencer não importava o prêmio final. Lembro de em 2001 participar de mais de 100 campeonatos no ano, já que tínhamos finais de semanas que jogávamos 2 ou 3 campeonatos ao mesmo tempo em diferentes lan houses de São Paulo.

2) O que mudou daquela época para agora dentro dos eventos, organizações e mercado?

O que mudou principalmente foi a visibilidade. Com a internet de banda larga, grandes veículos de comunicação e a imprensa noticiando cada vez mais o esports. Temos hoje um melhor reconhecimento da sociedade. Hoje também existe uma cobrança maior do público, dos fãs, dos times e dos jogadores em relação aos eventos, organizações e do mercado como um todo. Mas de tudo isso o que eu sinto que mais tenha mudado é a forma que as organizações impactaram o mercado.

Antigamente os jogadores se reuniam, criavam um time e começavam a treinar e participar dos campeonatos. Não existia uma empresa consolidada dando suporte e estrutura para estes treinamentos e competições. Por um lado isso tornava a vida dos jogadores muito mais difícil porém ensinava uma série de valores que aquela geração vai levar consigo para o resto da vida.

3) Qual foi o momento que enxergou que deveria mudar de lado, não ser mais um jogador e virar um organizador/empresário?

Na época que decidi parar de jogar para ser Coach foi um momento em que havíamos migrado para o Mibr. Tínhamos 5 jogadores do g3x e precisava de um lugar para o Bit jogar no time pois tinha sido um pedido que o Paulo Velloso tinha feito. Com isso eu tinha a escolha de tirar um dos meus companheiros do time e como capitão e líder da equipe eu tentei achar uma solução para que todos pudéssemos continuar trabalhando e vivendo nossos sonhos. Com isso, resolvi virar treinador do time e foi uma decisão que não me arrependo pois consegui criar e liderar uma das lineups mais incríveis que já vi! Acabamos sendo campeões de praticamente tudo que jogamos e foi aí que consegui me tornar o primeiro técnico de counter strike campeão de um mundial (Dreamhack 2007)

Neste momento eu já havia decidido terminar meus estudos e me formar em marketing, então foi uma transição bem tranquila! Até que em 2008 pedi o desligamento do time para focar nos meus outros projetos relacionados a esports.

4) Como empresário, você acredita que os jogadores de hoje têm maturidade para conseguir levar o mercado e em um futuro tornarem-se empresários também?

Na verdade hoje já existem vários jogadores que conseguem conciliar a carreira atuando nos campeonatos e administrando suas marcas e empresas. No Brasil vejo como bons exemplos o Fallen, BrTT e FNX que apostaram em marcas próprias e hoje possuem uma fonte de renda que não é diretamente vinda de organizações e campeonatos.

5) Você acredita que hoje temos um mercado forte de CS no Brasil comparado com a Europa e EUA?

Atualmente o CS tem ganhado uma enorme visibilidade no Brasil, temos constantemente grandes campeonatos, classificatórias para campeonatos internacionais e até mesmo organizações estrangeiras contratando nossos jogadores. Além disso, o CS está nos principais canais relacionados a esporte convencional e isso gera uma repercussão e visibilidade muito grande para os organizadores de evento, organizações e jogadores. Temos milhares de fãs acompanhando as transmissões dos grandes eventos internacionais que acontecem constantemente. Eu sinto que comparado a Europa e EUA o Brasil ainda tem muito a crescer porém se compararmos com nosso próprio histórico nacional estamos vivendo com certeza a melhor época do CS.

6) Quais as dificuldades que o dono de uma Arena gamer encontra no Brasil?

Os custos para manter uma grande Arena como é o caso da MAX5 são bem altos e muitas vezes não temos o reconhecimento de marcas de fora do segmento para acreditar e investir. Sabemos do nosso potencial e vamos continuar acreditando que em breve esse cenário irá melhorar para todos que investiram no esports. Sabemos que o Brasil está em um momento sócio econômico bem complicado e isso impacta diretamente as verbas de marketing de grandes empresas e anunciantes.

O segredo está em conseguir atender e criar bons frequentadores que tenham uma boa experiência ao visitar e se divertir na arena.

7) Na sua opinião, o esports está consolidado no Brasil?

Estamos no caminho. Acredito que para estarmos consolidados, temos muito trabalho ainda pela frente, é um trabalho longo e constante para mudar a visão de muitas pessoas que ainda olham de forma negativa o nosso mercado. Na minha visão, atualmente estamos muito melhores do que há 5 ou 10 anos atrás porém ainda estamos muito distantes de onde poderíamos e deveríamos estar olhando o esports de uma forma global.

8) Onde você acha que o mercado de esports vai estar daqui a 5 anos?

Em 5 anos muita coisa acontece, há 5 anos atrás eu estava criando a Brasil Gaming League, não existia ainda nem a agência X5 ou grandes eventos com transmissões próprias aqui no Brasil, não existiam estúdios ou pequenas arenas nem eventos exclusivos de esports. Era uma loucura falar que teríamos mais de 40.000 pessoas lotando um evento durante um feriado para assistir as finais da Brasil Gaming League e mais loucura ainda falar que no Brasil teríamos uma arena dedicada 100% a e-Sports com mais de 4.000 metros quadrados.

Sinceramente eu ainda não tenho certeza absoluta de onde o esports estará daqui 5 anos porém tenho certeza que continuarei ajudando a fazer com que o futuro aconteça mais rápido para os brasileiros.

9) Alguma sugestão para quem está começando a ser um empreendedor agora?

Na dúvida, arrisque! Se eu tivesse escutado todos que falavam que não iria dar certo ou que aquilo que estava fazendo era muito à frente do meu tempo eu com certeza estaria muito menos feliz e realizado do que estou hoje.