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Opinião: decadência e inércia da Valve marcam os últimos Majors de CS:GO

Por: Jairo Foxer Junior - Gamehall - 13/01/2018 02:33:52
Opinião: decadência e inércia da Valve marcam os últimos Majors de CS:GO

Desde o dia 28 de novembro de 2013, durante a DreamHack Winter, em Jonkoping, Suécia, as temporadas do competitivo profissional de Counter Strike:Global Offensive, ficaram marcadas pela aparição de torneios apoiados pela própria produtora do jogo, a Valve. Estes, passaram a ser os títulos mais importantes e cobiçados do mundo, chamados de Majors.

Com o passar dos anos, a premissa foi se tornando ainda mais verdadeira. Os campeonatos considerados Majors no CS:GO passaram a ser especiais de diversas formas. Suas premiações foram crescendo, os adesivos de equipes e jogadores se popularizavam, e cada vez mais, atletas e fãs do jogo aguardavam ansiosamente por estes campeonatos, os quais passaram a acontecer entre duas e três vezes a cada ano.

No entanto, no meio deste auge vivido pelos Majors, "repentinamente" tudo mudou. Uma série de equívocos por parte das organizadoras e da própria Valve, praticamente inerte perante a todos acontecidos, se tornou um bola de neve que não para de crescer e ferir todo aquele prestígio conquistado por estes tipos de competições.

No primeiro Major de 2017, com a ELeague como organizadora, vimos um grande acerto quanto a transmissão. Neste quesito, a própria ELeague costuma ser praticamente impecável, até pela experiência, mas o presencial deixou bastante a desejar. No League of Legends por exemplo, vemos as finais de torneios nacionais e mundiais, que são um acontecimento no competitivo do jogo, acontecerem em estádios de Copa do Mundo, lotados de adeptos. Logo, parece impraticável que, o evento que era para ser o maior do ano, aconteça em um teatro com lotação de apenas 4.665 pessoas (segundo o Wikipedia). Na época, até mesmo alguns players comentaram que algo assim não era o ideal para um Major.

Após a ELeague 2017, disputada em Janeiro, chegou o PGL Major Krakow 2017, em julho, na TAURON Arena Krakow. Um lugar mais interessante do que o último, mas um evento recheado de atrasos e problemas técnicos. Alguns até amadores. Além da constante queda da internet, um dos mais graves que vimos eram computadores que não conseguiam rodar o jogo com perfeição, como os profissionais estão acostumados. Um erro inaceitável para qualquer campeonato de respeito, o que dirá um Major. Se já não bastasse isso, ainda nos deparamos com o tal "pulo do BIG". Uma espécie de bug no jogo, em que a equipe alemã BIG se aproveitava constantemente para levar vantagem sobre seus adversários. Na prática, eles pulavam atrás de estruturas de uma forma em que eles poderiam ver seus inimigos, pegar informações importantes e, ao mesmo tempo, os adversários não poderiam vê-los. O bug existir é de menos. O que impressionou foi a organizadora e a dona do jogo não se manifestarem contrariamente a isso imediatamente.

Na ocasião, o jogador da SK Gaming, TACO, comentou em vídeo sobre todas estas polêmicas:


Em 2018, todos aguardavam ansiosamente por um Major sem polêmicas, porém, antes mesmo dele começar, elas já vieram a público. A começar pela regra sem sentido que impedia Ricardo "boltz" Prass e Lucas "Steelega" Lopes de atuarem por suas novas equipes na competição: a SK Gaming e o Team Liquid, respectivamente. A regra em questão prega o seguinte: players que disputaram o qualificatório para o Minor, não podem de maneira alguma, atuar por outro time posteriormente, em tudo que envolve o Major. Parafraseando o que disse Marcelo "coldzera" David recentemente, em uma entrevista a Melão13, no Youtube, durante o programa "Sem Dodge", o sonho de todo jogador é disputar um Major. Por isso, não importa o quão pequeno seja o seu time ou que ele não tenha chance alguma, os players vão querer tentar disputar as vagas dos qualificatórios. Eles tem que tentar. E é justamente nesta tentativa que eles acabam se comprometendo, caso consigam uma vaga em um time melhor posteriormente, pois há cerca de quatro meses atrás, ele cometeu o "crime" de tentar, e agora, não pode atuar por seu novo time. Talvez, mais a frente, como por exemplo no "Main Qualifier" do Major, esta regra faria sentido. Porém, no "qualificatório do qualificatório pro qualificatório", não faz nenhum.

Fora as polêmicas de escalações desfalcadas, mais uma veio à tona nas últimas semanas, sendo reforçada nesta madrugada de sábado (13). O time chinês TyLoo ficou impossibilitado de disputar a competição, por conta de problemas de visto, cedendo sua vaga a outra equipe. Agora, ficamos sabendo que os brasileiros do 100 Thieves sofreram o mesmo destino (LINK). Algo ainda mais grave, pois uma equipe com status de LEGEND não irá disputar a competição, que era para ser a mais importante de todas. É claro, um jogador não conseguir um visto não é culpa da Valve ou da ELeague na prática. Entretanto, a dificuldade de conseguir este visto nos Estados Unidos não é de hoje. O presidente americano, Donald Trump, assinou um decreto que dificultaria a entrada no país, até mesmo para trabalhar, há cerca de um ano atrás. Sendo este fato de conhecimento geral, por que não realizar o Major em um país com uma entrada de estrangeiros mais branda? Por que correr o risco?

Por fim, acredito que por ser o "campeonato mais importante de todos", acontecer apenas duas vezes ao ano e ainda por cima ter apoio da Valve, o Major deveria ser de fato, um acontecimento imenso pro cenário. Não só em alguns pontos, mas em tudo. Desde o presencial até a transmissão. E novamente utilizo o League of Legends como exemplo, que conta com apresentações, shows e belíssimas entradas em seus mundiais. Tanto no início da competição quanto no encerramento. E para finalizar, deixo uma última reflexão: atualmente, o que torna um Major tão grandioso, especial e completamente acima de todos os outros eventos do ano? Apenas adesivos?