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Tomi: fui chamado para gerir a atual não existente divisão de CS da Immortals

Por: Jairo Foxer Junior - GameHall - 27/04/2018 07:53:29
Tomi: fui chamado para gerir a atual não existente divisão de CS da Immortals

O Rio Esports Forum (LINK) acontece nesta sexta-feira (27), das 9 até às 18 horas. E por lá, diversos profissionais gabaritados irão discutir o esporte eletrônico e o que acontece dentro do seu ecossistema. Um deles, veio diretamente dos Estados Unidos apenas para participar do evento, e prontamente atendeu nossa equipe para uma conversa: o General Manager da Immortals, Tomi “Lurppis” Kovanen.

Hotel Hilton, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, onde irá acontecer o Rio Esports Forum.

Antes mesmo dos assuntos que realmente interessam ao público começarem, o americano deixou uma breve apresentação sobre quem ele é e como se desenvolveu a sua carreira, resumidamente, no mundo do esport.

"Meu nome é Tomi e eu joguei Counter-Strike profissionalmente há muitos anos atrás, me aposentando em 2012 para retomar os estudos na faculdade. Depois disso, eu cheguei a trabalhar em um banco de investimentos, e agora em fevereiro o CEO da Immortals, Noah, me convidou para voltar ao esports, onde 'fui contratado para gerir a atual não existente divisão de Counter-Strike da Immortals'.", se apresentou Tomi.

Logo de cara, a frase "atual não existente divisão de Counter-Strike da Immortals" já deixa qualquer um bem pensativo, mas continuemos com o papo. Ele prosseguiu seu relato nos contanto que já veio ao Brasil há cerca de treze anos atrás para disputar uma competição, no próprio Rio de Janeiro, mas que na época conheceu locais diferentes.

"Esta não é a primeira vez que venho ao Brasil. Eu já estive aqui antes para disputar um torneio, mas eu realmente não consigo apontar alguma diferença entre antes e agora, pois eu não visitei os mesmos lugares que da outra vez. Ainda assim, a minha estadia está sendo bem agradável até o momento. Eu visitei ainda pouco algumas arenas Olímpicas e amanhã teremos o forum para debater sobre o mercado de esport.", contou.

Além desta não ser sua primeira visita ao Brasil, também não é a da Immortals. A organização norte-americana foi representada há pouco tempo atrás pelo seu CEO, Noah Whinston, que teve uma rápida passagem por aqui realizando algumas reuniões com conteúdo não divulgado por ele e nem por Tomi em nosso papo.

"Sim, o Noah esteve aqui no Brasil no mês passado, teve algumas reuniões em São Paulo, mas eu não sei dizer exatamente sobre o que foram, pois eu não estava com ele. Da minha parte, eu vim representar a organização e também a mim mesmo no forum. Infelizmente, eu não tenho nada mais empolgante para compartilhar sobre a minha vinda.", disse Tomi.

Como o membro da Immortals não podia compartilhar muito sobre o CEO da sua empresa, passamos a falar um pouco mais dele na conversa. E nesta continuação, ele teve a oportunidade de nos explicar como funciona a sua visão que mistura um pouco do Lurppis ex-jogador e do Tomi profissional da staff de uma organização.

"Com certeza ter sido jogador me ajuda bastante na parte de lidar com um time, pois eu entendo o lado deles. Ao mesmo tempo, eu estudei e me capacitei profissionalmente para entender o produto como um todo. Então, eu consigo entender todos os lados, junto estes conhecimentos e consigo fazer a 'matemática bater certinho'.", explicou.

"Sobre o mercado em si, eu creio que os resultados de eventos de esport no Brasil, até o momento, parecem ser muito bons. A ESL Pro League foi muito bacana e a ESL One esgotou muito rápido, então, isso mostra muito interesse do público. Nós enxergamos muitos pontos interessantes por aqui, apesar de não estarmos investindo em nada ainda. Talvez, a única coisa que impeça o Brasil de avançar mais é que o investimento fora do país é muito maior. Aqui tem muitas ideias boas, mas falta um incentivo monetário.", completou.

Apesar da possível transferência da atual lineup da SK Gaming para a Immortals ainda ser negada ou não comentada por ambos os lados, os próprios Imortais já deixaram claro o seu desejo de voltar a trabalhar com uma equipe brasileira, sem qualquer especificação de nome. Por isso, perguntamos ao General Manager da Immortals sobre o porquê do interesse em nosso país:

"O Brasil é um país muito grande e nós o adoramos. O mercado é interessante e o ecossistema se desenvolve bem dentro dos principais jogos. Portanto, a Immortals entende que se existe uma oportunidade em um mercado promissor, e que ela pode contribuir e suprir alguma carência, é válido fazê-lo. Mas nós ainda não sabemos se iremos ter realmente um novo time ou se traremos algo novo e diferente para o Brasil. No entanto, se existe a possibilidade de atender um mercado favorável, uma demanda do público e é um bom negócio, por que não fazer?", refletiu Tomi.

Ainda falando sobre o mercado brasileiro de esporte eletrônico, ele também nos passou a sua visão sobre a constante exportação de atletas para fora, principalmente no CS:GO, e nos disse de que forma talvez seria possível o cenário reaver as suas grandes estrelas.

"Os melhores jogadores do mundo não podem voltar para o Brasil porque o cenário aqui não é tão desenvolvido. Ao mesmo tempo, o cenário não se desenvolve tanto porque não tem os melhores jogadores atuando por aqui. É um ciclo vicioso, infelizmente. Ainda assim, agora com os qualifiers e campeonatos mundiais aqui, talvez acena comece a se desenvolver. Além disso, outra possível solução que eu enxergo é se todos os times combinarem e voltarem juntos pra cá, para formar um cenário forte novamente. Mas da mesma maneira, eles precisariam sair daqui para disputar competições e também fazer bootcamps.", disse Tomi.

Antes de finalizarmos nosso bate-papo, tentamos falar um pouquinho sobre a possível compra da marca Made in Brazil (MiBR), porém, ele foi categórico ao afirmar que não sabia desta e de nenhuma outra negociação da Immortals. Por isso, terminamos comentando sobre o que podemos esperar das suas apresentações no Rio Esports Forum.

"Na minha palestra, eu vou basicamente contar a minha trajetória de carreira no esport: de jogador até o cargo que estou hoje na Immortals. Então, será basicamente a primeira resposta que eu dei na nossa conversa, mas de forma mais ampla e detalhada. Já no painel que eu estarei com outras pessoas, "Esport é Negócio", será uma conversa e eu ainda não sei o que vai acontecer, mas eu estou muito empolgado para conhecer outras pessoas que compartilham dos meus pensamentos, tem novas ideias e que trabalham e entendem da parte negocial do esporte eletrônico brasileiro.", finalizou.