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Conheça o time de narradores e comentaristas de Rainbow Six e Gwent

Por: Amanda Santos - GameHall - 01/05/2018 12:01:00
Conheça o time de narradores e comentaristas de Rainbow Six e Gwent

Você pode não conhecer o rosto deles, mas com certeza já ouviu suas vozes durante os rounds de cada confronto do Brasileirão de Rainbow Six e na Gwent Pro Cup. Eles são os grandes responsáveis por trazerem emoção e manter o espectador vidrado nas transmissões.

No mundo dos esports eles dão um show de narração, análises e comentários. Conheça o trabalho de André “Meligeni” Santos, Otávio “Retalha” Ceschi, Petar Neto e Felipe Felisberto, as vozes de Rainbow Six e Gwent.

ANDRÉ “MELIGENI” SANTOS

Meligeni - BR6

Poucos sabem que um dos ícones da narração surgiu da área de telecomunicações. André Meligeni ou Meli, começou a transmitir seus jogos no início de 2013 e em pouco tempo recebeu convite de narrar para a ESL o 2º Mundial de CS:GO, o Major Series One Katowice, em 2014. O resultado foi tão bom que no fim do mesmo ano passou a narrar o Battlefield Premier League – nisto foram cerca de 114 confrontos narrados e transmitidos por ele – e em 2016 estreou ao lado de Retalha na 1ª Edição do Brasileirão de Rainbow Six.

Para quem se interessa pela narração mas não sabe por onde começar, Meli revela uma técnica milenar passada de geração em geração entre os narradores que consta basicamente em: escolher um jogo, tirar o som, narrar por cima e se ouvir depois. Outra dica é buscar referência de outros narradores e usar de exemplo para construir um estilo próprio.

Para Meli, a maior das dicas está na dedicação, “para narrar um jogo você deve ter interesse e saber o que está fazendo, não precisa conhecer tudo mas é importante ter amor pelo que faz”, conta. Para os que já se aventuraram neste universo, ele afirma que detalhes como falar pausadamente ou deixar para fazer a análise do round pode ajudar quem gagueja durante a narração, “isso é um ponto importante para tentar pegar o ritmo na próxima rodada do jogo”, garante.

OTÁVIO “RETALHA” CESCHI

Retalha

De jogador a comentarista. O histórico de Retalha se inverteu a partir de 2014, quando já transmitia seus jogos e aceitou a proposta feita por Meligeni (que na época narrava sozinho as disputas de Battlefield) e convidou para narrarem juntos as primeiras disputas de R6. Formado em locução, Retalha cursava Jornalismo e mesmo familiarizado com o assunto ficou surpreso ao entrar neste mercado, “nunca pensei em trabalhar com esports ainda mais com narração esportiva”, conta o atual comentarista do Brasileirão de Rainbow Six.

Apesar deste gênero radiofônico ser facilmente encontrado em cursos de comunicação, segundo Retalha, ser comentarista ou narrar um jogo vai além de se especializar. Um exemplo é seu parceiro de trabalho, André Meligeni, “ele nunca cursou e apenas foi aprimorando porque veio com o dom”, ressaltando que a profissão é um talento natural que vem antes mesmo da prática.

Meligeni e Retalha

Um dos erros mais comuns entre narradores experientes é o vício de linguagem, um ponto que se for corrigido enquanto se dá os primeiros passos na carreira pode ser um diferencial. Estudar partidas já gravadas e investir em campeonatos menores (ligas amadoras, por exemplo) podem trazer bons resultados – e um bom material para portfólio.

Mas não são apenas os iniciantes, até quem vem da narração esportiva também pode sofrer para se adaptar ao universo dos games. Para ele, isto acontece porque a pessoa “não vai ter um conhecimento da dinâmica e da velocidade que as coisas acontecem naquele mundo virtual”, afirma o narrador. Neste caso, ele sugere que a pessoa jogue e aprenda sobre aquele tipo de conteúdo antes de fazer esta transição.

PETAR NETO

Petar Neto

A voz marcante dos torneios de Overwatch chegou recentemente ao Rainbow Six e ao Gwent, mas antes disso, ele venceu uma das edições da Liga Monkey de Counter Strike 1.0 e já foi pro player de R6 da Myp eSports (atual line up da RED Canids).

O lançamento do FPS da Blizzard em maio de 2016 foi a porta de entrada de Petar Neto, que começou narrando torneios da comunidade organizados pela ESL – Pré-season e Season 1 da Liga Brasileira de Overwatch, Copa do Mundo de Overwatch em 2016 e a Última Arena, que juntos somam 2 anos de muito trabalho. Hoje é apresentador nos canais ESPN, narrador de esports, desk-host na Ubisoft Brasil e Streamer.

Após o longo período dedicado a Overwatch, foi vez de Rainbow Six Siege voltar para a rotina de Petar – que acompanhava o jogo desde seu lançamento em 2015. Em uma das transmissões do Brasileirão de R6 em 2017, Petar substituiu Retalha e narrou ao lado de Meli, amigo de longa data que passou conselhos valiosos, “foi quem me ensinou o caminho das pedras no esport e me deu todo apoio naquele dia, era minha estreia no Brasileirão”, conta.

Petar Neto entrevistando jogador da FaZe

Logo na estreia, a recepção dos fãs de FPS foi tão positiva que em pouco tempo passou a apresentar as Mesas Redondas do BR6, além de comandar o último Marcando Pixel de 2017 entrevistando Gabriel “Cameram4n” Hespanhol, do FaZe Clan.

Petar conta que o segredo para quem quer ser um bom narrador é estudar diariamente o jogo, “porque o tempo passa e ele muda, deixando de ser um game para ser um serviço”, explica. Outra recomendação está em acompanhar os times e os jogadores, o detalhe é essencial para contar a trajetória das equipes durante os jogos, importante para quem pretende ser analista.

FELIPE "KORVACH" FELISBERTO

Korvach

Quem joga cardgames sabe o quanto a estratégia é fundamental em cada decisão tomada. Um dos narradores mais espertos e visionários do cenário, começou a transmitir seus jogos e focou por um lado diferente: acompanhar um jogo recém-lançado e produzir conteúdo a partir dele, conquistando um público exclusivo.

No início, Korvach testou diversos jogos – dois deles foram o Spellweaver (2016), jogo de cartas da Dream Reactor e o MOBA Battlerite (2017) – mas não teve sucesso. A oportunidade chegou no início de 2017, quando as versões beta de Gwent foram anunciadas e Felipe negociou com o comunity manager (um representante oficial do jogo na internet).

Como em 2016 ainda não havia disputas no Brasil, sua estratégia foi começar retransmitindo competições internacionais narradas em português. Mesmo não ganhando pelo serviço e fazendo por conta própria, Korvach ficou conhecido e atualmente é considerado o primeiro narrador brasileiro de Gwent. No ano passado, lançou o Taverna de Rívia – videocast em que reúne especialistas e players do jogo de cartas – em seguida estreou o Decreto Real, onde apresenta semanalmente as novidades de Gwent, e narrou o Gwent Challenger 2017 e Gwent Pro Cup com a companhia de Petar Neto.

Petar Neto e Korvach no Gwent

Em entrevista para o XLG, Felipe conta que grandes nomes da narração iniciaram com uma produção amadora e correr atrás é a peça chave para as oportunidades aparecerem. Mas antes disto, “é preciso saber o que você quer ser, se quer ser um comentarista, um narrador ou um analista e de qual jogo”, ressalta.

Para ele, mostrar que domina o assunto, se engajar com a comunidade, “dar as caras” e fazer ser reconhecido é importante, porque “além de ser um treinamento, a iniciativa serve de material para o portfólio e cria contato com quem trabalha há mais tempo na área”, conta o narrador de Gwent que usa seu exemplo para quem começa na narração. “Busque a pessoa que lida com a comunidade do jogo, pergunte se precisam de narradores, se não aprovarem ao vivo, negocie pegar a transmissão e fazer em português na próxima semana”, sugere.

A ocasião que mudou sua carreira foi quando passou a tratar suas transmissões como uma empresa e não como um hobbie, porque “a partir do momento que você faz por lazer, você faz como e na hora que quiser, se você quer viver daquilo é preciso lembrar que tem contas para pagar”, encerra Felipe.

Acompanhe o trabalho de Meli, Retalha, Petar Neto e Korvach nas redes sociais. Para mais notícias de Rainbow Six e Gwent acesse a página principal do XLG.